LUDICIDADE EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL.

NA EDIÇÃO DE NÚMERO 18 em 23 DE SETEMBRO de 2009, foi publicada uma matéria sobre o LIVRO: OS BICHOS, do PROFESSOR GISNALDO AMORIM. ESTE LIVRO FOI APROVADO no PNLD ( PROGRAMA NACIONAL DO LIVRO DIDÁTICO) do MEC e foi distribuído pata todas as escolas públicas municipais e estaduais do BRASIL. GISNALDO AMORIM, agora, está com a intenção de ver a utilização desta obra de caráter de EDUCAÇÃO AMBIENTAL, em nossa região. Na sequência do post desta matéria, está a cópia da matéria divulgada no CLICKCIÊNCIA da UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS NO ESTADO DE SÃO PAULO.

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os bichos

Era uma vez…

No caso da literatura, existem dois grandes desafios: o primeiro diz respeito à própria produção de obras literárias de divulgação científica que encontrem o equilíbrio entre o didático e o lúdico; o segundo diz respeito ao hábito da leitura, tão pouco cultivado no Brasil

Saiba como a milenar tradição de contar histórias hoje é utilizada para narrar o conhecimento científico

A arte de contar histórias é tão antiga quanto a própria sociedade. Acredita-se que desde quando adquiriu o poder da linguagem, o Homem passou a contar sobre suas experiências para os seus semelhantes, como forma de comunhão e interação social. Esse poder das histórias atraiu a atenção de professores e outros educadores, que hoje criam narrativas para que, através delas, os alunos possam aprender com mais facilidade os conceitos das disciplinas escolares.

A divulgação científica pela literatura é um exemplo de como narrativas podem difundir conhecimento para cada vez mais pessoas. Na chamada “divulgação científica canônica”, as obras trazem os conteúdos e processos da Ciência relatados de forma explícita, com altos índices de detalhamento conceitual. Essas obras são consideradas literatura porque trazem vínculos com aspectos da cultura humana. Expoentes dessa linha são Stephen Jay Gould e Richard Dawkins.

Outro tipo de literatura dessa espécie são as obras não canônicas de divulgação científica, como, por exemplo, “Contato” de Carl Sagan, “2001, Uma odisséia no espaço”, de Arthur Clarke, “Os meninos da planície”, de Cástor Cartelle, e o “Dilema do Bicho-Pau”, de Ângelo Machado. Nessas obras, a centralidade da narrativa não recai sobre os conceitos e metodologias científicas, mas em aspectos dos dramas existenciais humanos. “Nesses casos, os conteúdos e processos da Ciência são pano de fundo e aparecem em geral implícitos no discurso, ou seja, o autor supõe que o leitor já domina alguns conceitos e, portanto, narra de forma menos explícita”, explica o professor do departamento de Ciências Naturais da Universidade Federal de São João Del Rei, Gisnaldo Amorim, que em seu doutorado em Educação investigou as potencialidades da literatura de divulgação científica.

Segundo Amorim, quando se discute sobre a eficiência da literatura no papel de divulgadora da Ciência, é importante ter em mente essa distinção entre os tipos de obras que podem ser encontradas. A partir dessa distinção é possível inferir que, se o objetivo principal for ensinar disciplinarmente teorias e métodos científicos, as obras canônicas serão mais eficazes. “Mas, se a intenção for ter a Ciência como pano de fundo para se atingir uma educação mais integral do leitor, envolvendo aspectos da existência humana, eu diria que as obras não canônicas são um gênero de literatura de divulgação científica mais eficiente.”

Na obras literárias não canônicas de divulgação científica o autor supõe que o leitor já domina alguns conceitos e, portanto, narra a Ciência de forma menos explícita.
É nesse sentido que o professor da Universidade Federal de São Carlos Hylio Laganá Fernandes, coordenador do GIBIOzine (revista em quadrinhos de divulgação científica), afirma que os artigos científicos – enquadrados na categoria de obras canônicas – podem ser muito interessantes, mas provavelmente apenas para especialistas, pois o estilo da escrita excessivamente técnico é de compreensão mais difícil e acaba não sendo agradável para muitas pessoas. Portanto, quando fala na literatura como uma metodologia para a divulgação da Ciência, Fernandes está considerando os textos de linguagem mais acessível e que envolvem aspectos do cotidiano dos leitores. “Se nesses textos estiverem sendo tratados conteúdos científicos, eles vão estar associados ao prazer da leitura, e isso aumenta a chance das pessoas leigas aprenderem algo sobre o assunto, ou mesmo despertarem sua curiosidade, movimentando-se posteriormente para conhecer mais”, acredita Fernandes.

Outra experiência da UFSCar vai pelo mesmo caminho. A Atividade Curricular de Integração Ensino, Pesquisa e Extensão (Aciepe) “Histórias Infantis e Matemática” propõe, a alunos licenciandos e a professores já atuantes na rede de ensino, a produção de livros cujas histórias sejam capazes de conduzir os leitores ao mundo da Matemática. “A gente acredita que trabalhar as histórias infantis conectadas com o conteúdo matemático faz com que a criança se envolva tanto na trama como nas questões matemáticas. Então, de certo modo, a literatura é o meio que conduz as crianças aos números”, afirma a professora Cármen Lúcia Brancaglion Passos, do Departamento de Metodologia de Ensino da UFSCar, coordenadora da Aciepe.

É interessante notar que, no caso da literatura, existem dois grandes desafios: o primeiro diz respeito à própria produção de obras literárias de divulgação científica que encontrem o equilíbrio entre o didático e o lúdico; o segundo diz respeito ao hábito da leitura, tão pouco cultivado no Brasil. De nada vale um excelente livro se não houver quem o leia. Assim, o primeiro requisito para uma obra literária de divulgação científica é que ela seja agradável para “se fazer ler”. “O livro, antes de tudo, deve manter sua qualidade como gênero artístico, que transcenda a pura informação de dados e fatos; depois, vem a preocupação com a adequação da linguagem ao público-alvo e, por fim, mas não menos importante, vem o cuidado no sentido de não apresentar erros conceituais ou colocações que levem a desvios ou interpretações equivocadas”, pondera Hylio Laganá, da UFSCar.

Em relação ao foco das obras, alguns pesquisadores tendem a considerar alguns temas das Ciências Exatas como mais ásperos para serem trabalhados em um livro de histórias. “A Física Quântica é uma temática bem difícil de ser transportada para a ficção literária. Sou escritor de livros didáticos de Ciências e, quando me deparei com a Física Quântica, não me embrenhei nos terrenos conceituais, pois percebi que algumas tentativas de tratamento didático desse tema não conseguiram oferecer uma sistematização coerente, clara e com rigor conceitual. Assim, trazer essa temática para o universo literário me pareceu meio artificial”, relata Gisnaldo Amorim. Na mesma direção, Fernandes diz que “há, por exemplo, certos temas específicos relacionados a equações matemáticas que se situam nos limites do abstrato e devem ser realmente difíceis de serem explicados em outras linguagens que não a matemática”.

Não é o que tem observado a professora Carmem Brancaglion em suas atividades. “Na verdade, não existe dificuldade, a gente tem aqui mais de cem produções de livros infantis e os temas são os mais variados possíveis. Claro que estamos falando de literatura infantil, então os conceitos matemáticos envolvidos são relativos à Educação Básica, embora já tenhamos tido experiências com conteúdos até para o Ensino Médio, todos com grande sucesso”, atesta. Os livros produzidos na Aciepe já abordaram desde as operações básicas, medidas e figuras geométricas, até matrizes e análises combinatórias.

Se assuntos envolvendo números causam divergências em relação à dificuldade na abordagem, outros como as características da luz, a formação do arco-íris, a evolução, o corpo humano, a Lua e a Biotecnologia “têm tudo para serem mais fáceis de se transportar para a literatura”, afirma Amorim. “No universo da Biologia, qualquer tema pode ser explicado de formas ‘não acadêmicas’. Se isso não for possível, é porque o assunto está ainda muito pouco definido, não está ‘maduro’ ou não encontrou alguém apto a desvelá-lo. É certo que essa explicação para o público leigo se dará com menor profundidade, posto que o detalhamento técnico, característico das produções acadêmicas, pode ser aborrecido e/ou incompreensível para quem não domina a área”, afirma Fernandes. Em última análise, no entanto, a formação do autor e a familiaridade com o tema e com o público pretendido são decisivos no processo de levar os temas dos centros de pesquisas para as páginas dos livros.

GIBIOzine

A linguagem dos quadrinhos (HQ) para a divulgação científica é a matéria-prima do grupo de pesquisa “Imagens em Ação”, da Universidade Federal de São Carlos, coordenado pelo professor Fernandes. O grupo tem utilizado as histórias em quadrinhos como veículo de divulgação, por ser uma forma de literatura bastante aceita pelos jovens (o público-alvo pretendido) e, segundo o coordenadora do projeto, riquíssima em termos comunicativos, já que associa a linguagem verbal com a visual.

O GIBIOzine já está em sua quinta edição. Fernandes explica que tem alguma participação como autor, mas que seu objetivo principal é estimular e organizar as produções de estudantes na revista, ou seja, são os próprios jovens que escrevem para seus pares. Como o nome sugere, o GIBIO trabalha, preferencialmente, com temas relacionados à Biologia, mas estudantes de outros cursos também são convidados a participar e já produziram HQs de Pedagogia, Turismo e Física.
Para saber mais, acesse o site do projeto.

“Os Bichos”

O professor Gisnaldo Amorim, atuando como escritor de obras de literatura para divulgação científica, produziu a obra “Os Bichos”, para crianças em fase de alfabetização, na qual usou pequenas histórias em formas de tirinhas para ensinar conceitos importantes da Zoologia. O livro foi aprovado no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) de 2010 e vai circular em todas as escolas públicas do Brasil. “Nesta obra, os professores poderão colocar em prática a concepção de que ensinar Ciências é também educar para a formação de consciências humanizadas”, afirma Amorim.

Histórias infantis e Matemática

A Aciepe “Histórias Infantis e Matemática”, coordenada pelas professoras Cármen Brancaglion e Rosa Moraes de Oliveira, trabalha com a produção de livros infantis que despertem o interesse pela Matemática e possam ser usados dentro das salas de aula para que os professores levantem discussões e iniciem suas explicações, embasados pelos enredos. Os livros são produzidos por licenciandos dos cursos de Matemática e de Pedagogia, na sua grande maioria, e por professores da rede de ensino de São Carlos.

Num primeiro momento, é feito um estudo teórico, com catalogação de livros já existentes e a investigação de temas e possíveis abordagens, para depois iniciar a criação propriamente dita. As ideias são compartilhadas pelo grupo, que faz uma avaliação prévia. Ou seja, embora o livro seja construído por um autor, o processo é colaborativo e cada participante contribui com aquilo que sabe mais. A inspiração vem das mais variadas fontes, inclusive de histórias já existentes, como no caso do livro baseado no seriado de televisão “Lost”, desenvolvido para ser trabalhado no segundo ciclo do Ensino Fundamental. Na obra, para conseguir sair da ilha, o leitor tem de resolver sistemas de equações.

Mais informações sobre a Aciepe, aqui.
lista de reportagem
Divulgação Científica: pontos de partida e destinos
Educação, divulgação e alienação
Arte e Ciência na Divulgação Científica
Luzes da Ribalta
Brincando de cientista
Era uma vez…
Formando para informar

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Márcia Tait

Roberto L. Baronas

Silvio R. Dahmen

Alexandra Bujokas

Leonor Assad

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