As tradições do Carnaval de Pedro Leopoldo na passarela

O Carnaval em Pedro Leopoldo já fez história. Com passagens memoráveis, o Carnaval reunía Escolas de Samba maravilhosas, organizadas e muito preparadas do ponto de vista do figurino, da harmonia, e da preparação do conjunto. Blocos Caricatos, Baterias, Passistas, Sambas Enredo e irreverência povoava as ruas da cidade de colorido, samba e alegria. As escola de samba mais tradicionais que se apresentavam no Carnaval de Pedro Leopoldo eram Damas e Valetes, Catimbeiros, Unidos do Magalhães e Tigres, dentre outras.
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Catimbeiros. Foto do jornalista Marcos Antunes. Na foto, pode-se visualizar a arquibancada do evento.

Blocos também memoráveis apresentavam-se marcando o Carnaval da cidade com sua contagiante união e criatividade:Bloco do Sono, Bloco Revelação, Bloco do Vovô Levi, Bloco dos Sujos, Amolados e Apaixonados, dentre outros. Um destaque vai para a famosa bateria dos Catimbeiros, com o excelente percussionista Melancia e o passista Gilsão. Outra bateria que se apresentava em grande estilo era a dos Unidos do Magalhães. O Carnaval de Rua em Pedro Leopoldo encantava por sua organização impecável, apresentando-se a público contagiado, presente entre arquibancadas e outras estruturas que viabilizavam a grande festa nacional na cidade. Muito esperados eram os carros alegóricos, sempre surpreendentes e aplaudidos. Pandeiristas, passistas, cantores e sambistas levavam às ruas da cidade a sua mágica força, combinando irreverência, reinados, coroações e vivas momescos. Noni e esposa se imortalizaram na história da cidade como o Rei e Rainha de momo. Jurados disputavam, ano a ano, seus louvores e votos à festa mais rica da cidade. A apuração ocorreu, durante anos, no Ceppel, acompanhada por grande público. No passado mais remoto, os bailes de clubes também animavam a população. Até os anos 60, bailes no Fubá e Industrial. Já a partir dos anos 70 em diante, também os Bailes do Social e do Clube Cauê. Sempre ocorreu concurso de melhores fantasias, sobretudo no Clube Social, envolvendo critérios como originalidade, luxo e criatividade das fantasias.
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Dalvinha Andrade e Josiane Ferreira desfilam pela Unidos dos Tigres. Foto do jornalista Marcos Antunes.

A concentração do desfile tradicionalmente se dava na Rua Esporte, com término no final da Rua Comendador. Barraquinhas, fantasiados, foliões se esbarravam para acompanhar a festa espetacular, que marcava o calendário da cidade, povoando corações e mentes com sua mensagem de união social, criatividade, alegria e extravasão. Há cerca de 20 anos o município de Pedro Leopoldo não realiza o seu carnaval. As crianças da cidade e mesmo jovens não têm memória desta festa no município, que é a mais popular do Brasil, porque não a viveram em sua cidade. Há um discurso vigente de que o Carnaval no município foi extinto por razões de segurança ou até mesmo porque ele perdeu o seu sentido cultural. Contudo, em cidades de mesmo porte de Pedro Leopoldo, em outros pontos de Minas e do país, o Carnaval continua vivo e pleno, observando-se os rigores de segurança e de promoção cultural do mundo contemporâneo.

Um dos itens mais fundamentais observados por Gisnaldo Amorim Pinto no Boi da Manta de 2012, para garantia da segurança foi exatamente a música. Gisnaldo afirma que a alteração do repertório musical para marchinhas tradicionais, com regulação do volume do som e com controle do horário de término do evento foi fundamental para manutenção das melhores expressões que o festejo popular pode trazer. O controle de som automotivo também é um dos itens fundamentais para o sucesso desta festa popular.

Júnia Sales observa que Pedro Leopoldo mudou, exigindo intervenções urbanas mais duradouras tanto para a realização de festas como o Boi da Manta e o Carnaval. Segundo a Educadora, seria imprescindível realizar uma manutenção cuidadosa no sistema de iluminação das vias públicas, garantindo maior segurança à população tanto do centro quanto dos distritos e bairros para que eventos como estes venham a ocorrer. A educação da população local também pode contribuir com a segurança, até mesmo para inibir problemas comumente narrados com a chegada de pessoas de outras cidades que costumam promover abusos.

Portanto, a segurança de eventos como estes não é uma questão solucionável ou contornável meramente com contingentes policiais, mas com medidas culturais, com atuação compartilhada com o planejamento urbano e com a profunda colaboração da população local. As soluções, evidentemente, são coletivas. QUe venham os festejos populares.

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