Dos gatinhos ao Incrível Hulk: máscaras no Boi da Manta

Personagem constante no Boi da Manta, o mascarado sofreu modificações que acompanham as transformações de um mundo em que a intimidade era um valor a ser preservado para, nos dias atuais, um mundo de extrema exposição da intimidade.

Chico Buarque inspirou-se nas diferentes formas da atuação dos mascarados para criar Note dos Mascarados, música que interroga a identidade por detrás da máscara, ritualística criada pelo festejo carnavalesco.

– Quem é você?
– Adivinha, se gosta de mim!

Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:

– Quem é você, diga logo…
– Que eu quero saber o seu jogo…
– Que eu quero morrer no seu bloco…
– Que eu quero me arder no seu fogo.

– Eu sou seresteiro,
Poeta e cantor.
– O meu tempo inteiro
Só zombo do amor.
– Eu tenho um pandeiro.
– Só quero um violão.
– Eu nado em dinheiro.
– Não tenho um tostão.
Fui porta-estandarte,
Não sei mais dançar.
– Eu, modéstia à parte,
Nasci pra sambar.
– Eu sou tão menina…
– Meu tempo passou…
– Eu sou Colombina!
– Eu sou Pierrô!

Mas é Carnaval!
Não me diga mais quem é você!
Amanhã tudo volta ao normal.
Deixa a festa acabar,
Deixa o barco correr.

Deixa o dia raiar, que hoje eu sou
Da maneira que você me quer.
O que você pedir eu lhe dou,
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!
Seja você quem for,
Seja o que Deus quiser!

Em sua origem, os mascarados do Boi da Manta compunham um cortejo de Gatinhos, personagens anônimos de máscaras rústicas confeccionadas com lenços e lençóis. Com o tempo, os mascarados se multiplicaram no Boi da Manta, sendo muito variada a composição de máscaras e formas de atuação.

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Gatinho no Boi da Manta 2012.

As atualizações do tempo também passaram a povoar o Boi da Manta, sendo que os mascarados também passaram a representar personagens políticos importantes, personalidades famosas e figuras tradicionais como macacos, chinpanzés, bruxas e velhas demoníacas, além de fantasmas e demônios, todos de rosto coberto.

O conceito de máscara do período requeria a ocultação da personalidade original para dar lugar a uma ficção, um personagem criado para o Boi da Manta, tornando anônimo o seu portador.

Associam-se aos mascarados os personagens também típicos como os homens vestidos de mulher e de bebê chorão, as mulheres vestidas de freiras e noivas fantasmas.

O Boi da Manta já imortalizou pessoas, personas e personagens: quem não se recorda de Miguel Matogrosso e sua performance? De Toninho de Elaine desfilando magistralmente em seus mágicos patins? De Mauro Morais com suas correntes de zumbi? De Tomezão com fantasia de Moita? E de Carlinho Rajão com os personagens de Chico Anísio (Pantaleão, Coalhada…). Fantásticos!

Nos dias de hoje e há pelo menos uns 20 anos, a intimidade abriu-se. Os mascarados, no sentido de ocultação da persona que está na base da máscara, deram lugar aos personagens híbridos e não-anônimos, que revelam sua identidade, mostram-se de cara limpa ou pintada, sendo reconhecidos como foliões e brincantes.

Os personagens de novela e filmes povoam o Boi da Manta, os políticos e personagens imortalizaram-se na forma de bonecões brincantes que são narradores da história da cidade e do Boi da Manta, misturados: Calango, Zé Pires, Pelau, Cecé e o Palhaço Pierrot. O Pierrot é uma das personagens que remete o Boi da Manta aos Bailes de Salão ainda sob influência portuguesa.

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Incrível Hulk, por Rubinho.

A cara à mostra é uma das marcas mais fundamentais da vivência atual do Boi da Manta, um sinal transformação também das repressões que povoavam o imaginário sobre a participação no Boi da Manta, sobre os significados atribuídos pela população a este festejo popular de Rua que é pura subversão e alegria, extravasão e entrega a Dionísio.

Texto e fotografia de Gisnaldo Amorim e Júnia Sales. Direitos reservados.

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A musicalidade do Boi da Manta

A Banda do Boi da Manta de Pedro Leopoldo tem tanta história quanto o próprio boi da manta. Inicialmente muito influenciada pela música e formação musical da Banda de Mùsica Cachoeira Grande, hoje a Banda do Boi da Manta é composta por músicos de vários pontos da cidade, com forte influência dos músicos de tradições de folias de reis e congados, principalmente de Santo Antonio da Barra. A coordenação musical da Banda é de César, de Santo Antonio da Barra.

Tambores, clarinetas, tarol, bumbos, piston, trombone de vara, tamborim e xique xique, dentre outros, compõem o acervo de instrumentos musicais presentes na bandinha.

A musicalidade do Boi da Manta de Pedro Leopoldo é composta por mistura de marchinhas de carnaval do passado e músicas do tempo presente.

O repertório da Banda do Boi observa pontos especiais do trajeto pela Rua Comendador Antônio Alves. Em frente à casa de Chiquita Carvalho, a Bandinha do Boi toca a marchinha Chiquita Bacana, uma bonita homenagem a esta saudosa pedroleopoldense.

Chiquita Bacana
Braguinha

Chiquita Bacana lá da Martinica
Se veste com uma
Casca de banana nanica.

Não usa vestido, não usa calção;
Inverno pra ela é pleno verão.
Existencialista (com toda razão!),
Só faz o que manda o seu coração.

Em frente à Igreja Matriz a Banda silencia em sinal de respeito, para logo a seguir tocar Xô Satanás, em pleno ritmo carnavalesco.

Xô Satanas
Asa de Águia

Eu era um bêbado
Que vivia drogado,
Hoje estou curado
Encontrei jesus!
Encontrei jesus!
Encontrei jesus!

Na casa do senhor
Não existe satanás

Xô satanás!
Xô satanás!

Eu tava na vida,
Quase a me perder,
A minha tentação
Foi amar você,
Com tanta loucura
Eu não agüento mais

Xô satanás!
Xô satanás!
Xô satanás!
Xô satanás!

Muitas outras músicas se seguem, numa mistura de marchinhas tradicionais de carnaval, samba e repertório contemporâneo. Como na música “Portela na Avenida”, de Paulo César Pinheiro, podemos dizer que a Banda do Boi da Manta oferece a procissão do samba abençoando o divino carnaval.

De acordo com a Secretária de Cultura, Patrícia Rafael, O “Boi da Manta” é a mais tradicional festa de Pedro Leopoldo e tambem a mais aguardada do ano. Uma festa que tem vida própria, cuja tônica principal é o “coração” do Boi da Manta, que é a sua bandinha, arrastando com muita alegria os foliões e mascarados por todo o trajeto da rua Comendador Antônio Alves. Relata Patrícia que em respeito às tradições, a sonorização de rua que antecede ao cortejo tocou somente músicas como marchinhas de carnaval, samba enredo e axé. Desta forma a secretária relata objetivar manter acesa esta festa tão importante e histórica para a cidade de Pedro Leopoldo.

Observa Gisnaldo Amorim a presença de músicas na Banda do Boi de autoria de Benito de Paula, como Mulher Brasileira. Gisnaldo ressalta que esta é uma música sentimental, em homenagem ao amor e à mulher brasileira, uma importante referência à vida, ao encanto, à beleza feminina.

Agora chegou a vez, vou cantar
Mulher brasileira em primeiro lugar
Agora chegou a vez, vou cantar
Mulher brasileira em primeiro lugar

Norte a sul do meu Brasil
Caminha sambando quem não viu
Mulher de verdade, sim, senhor
Mulher brasileira é feita de amor

Gisnaldo também destaca a execução de Tudo está no seu lugar, de Benito de Paula, com o seguinte refrão
Tudo está no seu lugar
Graças a Deus, graças a Deus
Não devemos esquecer de dizer
Graças a Deus, graças a Deus
Tudo está no seu lugar
Graças a Deus, graças a Deus

Para assistir ao vídeo com execução desta música pelo compositor, consulte em http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=zFu2YrpDYtU#!

A Banda do Boi também executa tradicionalmente a música Vou festejar, de Jorge Aragão / Dida / Neoci, imortalizada pela voz de Beth Carvalho e entoada pela torcida do Atlético Mineiro em finais de jogos.

Chora!
Não vou ligar
Não vou ligar
Chegou a hora
Vais me pagar
Pode chorar
Pode chorar
Mas chora!

Chora!
Não vou ligar
Não vou ligar
Chegou a hora
Vais me pagar
Pode chorar
Pode chorar

É, o teu castigo
Brigou comigo
Sem ter porquê
Eu vou festejar
Vou festejar
O teu sofrer
O teu penar

Você pagou com traição
A quem sempre
Lhe deu a mão

Você pagou com traição
A quem sempre
Lhe deu a mão

Mas chora!

Chora!
Não vou ligar
Chegou a hora
Vais me pagar
Pode chorar
Pode chorar

Mas chora!

A música Balancê, Balancê, de Braguinha e Alberto Ribeiro, composta em 1936, é outra que não pode faltar, combinando ritmos de marchinha e frevo e imortalizada por Carmen Miranda e Gal Costa.

Ô balancê, balancê…
Quero dançar com você
Entra na roda morena p’rá vêr
o balancê, balancê

Quando por mim você passa,
fingindo que não me vê
Meu coração quase se despedaça
no balancê, balancê

Você foi minha cartilha,
você foi meu ABC
E por isso eu sou a maior maravilha
do balancê, balancê

Eu levo a vida pensando,
pensando só em você
E o tempo passa e eu vou me acabando
no balancê, balancê.

Gisnaldo Amorim destaca, ainda, que a primeira marchinha de carnaval foi entoada pela sonorização de rua do Boi da Manta 2013 – Ó abre alas – e é, talvez, a mais ouvida de todos os tempos, de autoria de Chiquinha Gonzaga, uma célebre compositora brasileira que enfrentou preconceitos de seu tempo, compondo vários choros e marchinhas. Vila Lobos orquestrou composições de Chiquinha Gonzaga, que está na alma brasileira.

Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Eu sou da lira não posso negar
Eu sou da lira não posso negar
Ó abre alas que eu quero passar
Ó abre alas que eu quero passar
Rosa de ouro é que vai ganhar
Rosa de ouro é que vai ganhar

Pôde-se anda ouvir As pastorinhas, música de Noel Rosa e João de Barro que, segundo Gisnaldo, destaca as identidades do Brasil e as culturas populares religiosas de rua.

A estrela d’alva no céu desponta
E a lua anda tonta com tamanho esplendor.
E as pastorinhas, pra consolo da lua,
Vão cantando na rua lindos versos de amor.

Linda pastora, morena da cor de Madalena,
Tu não tens pena de mim
Que vivo tonto com o teu olhar.
Linda criança, tu não me sais da lembrança.
Meu coração não se cansa
De sempre, sempre te amar.

Executada em todos os dias de boi da manta, a Música Aquarela Brasileira de Martinho da Vila, é um dos clássicos do samba.

Vejam essa maravilha de cenário:
É um episódio relicário,
Que o artista, num sonho genial
Escolheu para este carnaval.
E o asfalto como passarela
Será a tela do Brasil em forma de aquarela.
Caminhando pelas cercanias do Amazonas
Conheci vastos seringais.
No Pará, a ilha de Marajó
E a velha cabana do Timbó.
Caminhando ainda um pouco mais
Deparei com lindos coqueirais.
Estava no Ceará, terra de irapuã,
De Iracema e Tupã
E fiquei radiante de alegria
Quando cheguei na Bahia…
Bahia de Castro Alves, do acarajé,
Das noites de magia do Candomblé.
Depois de atravessar as matas do Ipu
Assisti em Pernambuco
A festa do frevo e do maracatu.
Brasília tem o seu destaque
Na arte, na beleza, arquitetura.
Feitiço de garoa pela serra!
São Paulo engrandece a nossa terra!
Do leste, por todo o Centro-Oeste,
Tudo é belo e tem lindo matiz.
No Rio dos sambas e batucadas,
Dos malandros e mulatas
De requebros febris.
Brasil, essas nossas verdes matas,
Cachoeiras e cascatas de colorido sutil
E este lindo céu azul de anil
Emoldura em aquarela o meu Brasil.

Gisnaldo Amorim vê a presença da sacralidade da natureza brasileira na musicalidade do Boi da Manta. Ele se recorda de trecho da música Portela na avenida, que diz “tua águia altaneira, espírito santo no templo do samba”. A águia, na música, remete-se à natureza brasileira. Para Gisnaldo, estas músicas destacam o encanto diante da natureza brasileira, que músicos como Paulo César Pinheiro e martinho da vila chegam a associar com a luminosidade sagrada da trindade (pai, filho e espírito santo). O símbolo do espírito santo também é um ave, a pomba. Gisnaldo nota as raízes sagradas e profanas que se misturam no Boi da Manta. Pela faceta pagã alguns participantes chegam a expressar inclusive palavrões e expressões de liberação das censuras, sobretudo da sexualidade.

De acordo com a educadora Júnia Sales, pela música difundida no Boi da Manta pode-se expressar, viver e sentir as tradições brasileiras, refundando o gosto musical e o cultivo cultural pela valorização dos ritmos das marchinhas carnavalescas e do samba, com alegria e irreverência que fazem do Boi da Manta a melhor festa popular da cidade.

Boi da Manta 2013

COnfira o calendário do Boi da Manta 2013:

26 de janeiro (sábado) – das 19 às 24 horas

30 de janeiro (quarta-feira) – das 19 às 24 horas

02 de fevereiro (sábado) – das 19 às 24 horas

06 de fevereiro (quarta-feira) – das 19 às 24 horas

08 de fevereiro (sexta-feira) – das 19 às 24 horas

O blog Cultura de Pedro Leopoldo acompanhará o evento, proporcionando rico acervo de análises, registro fotográfico e interpretação cultural ao evento que tem tradição ritualística e identitária em Pedro Leopoldo.
Quer conhecer, estudar e pesquisar sobre o Boi da Manta? Visite nosso acervo de posts, com interpretações e análises sobre esta manifestação cultural https://culturadepedroleopoldo.wordpress.com/category/boi-da-manta/

Encontro do Boi com o Circo

Projeto contemplado em Edital Funarte terá realização em Pedro Leopoldo, sob coordenação de André Luiz Vieira. Importante projeto para a dinamização cultural do município de Pedro Leopoldo, combinando tradições de rua, ludicidade, criatividade e compromisso com a transformação da paisagem cultural do município.

Desenvolvido pelo Ministério da Cultura, o Programa Mais Cultura busca ampliar o acesso aos bens e serviços culturais, promovendo a autoestima, o sentimento de pertencimento, a cidadania, o protagonismo social e a diversidade cultural. A ação de Microprojetos Mais Cultura, como parte do eixo Cultura e Economia, visa aumentar o dinamismo econômico de comunidades e municípios por meio de concessão de apoio financeiro a pequenos projetos de artistas, grupos independentes e produtores culturais. Em Pedro Leopoldo, o Grupo Picadeiro Ambulante vem se destacando por seu protagonismo e por afirmação de expressão cultural original, lúdica e interativa.
O Programa Mais Cultura, no qual o projeto O Encontro do Boi com o Circo foi contemplado, visa ao desenvolvimento de práticas e ações artísticas e educativas propostas ou voltadas para jovens de17 a29 anos;

• A valorização das experiências culturais regionais da Bacia do Rio São

Francisco;

• A autenticidade e a expressividade artísticas.

Mais uma mostra de que os artistas precisam se reunir em torno de ideais comuns. Pedro Leopoldo aplaude e agradece.

ENCONTRO DO BOI COM O CIRCO EM PEDRO LEOPOLDO.

Dia 10 de novembro “Encontro do Boi com o Circo”. A partir da 17:00, cortejo do tradicional Boi da Manta, cortejo circense com grupo picadeiro ambulante e convidados. Espetáculo com o grupo argentino EL indivíduo.
Local: cortejos saindo na Comendador e Dr Herbster,ambos em direção a praça da estação, onde o projeto culminará com com o encontro do circo com o boi,com um espetáculo circense, show musical e muito mais….
Projeto realizado através do prêmio Funarte Micro-projetos Bacia São Francisco.
Apoio: Secretaria Municipal de desenvolvimento social
Divulgação: Coletivo Raiz
Produção e idealização: Grupo Picadeiro Ambulante.

O texto acima pertence ao artista pedroleopoldense André Vieira um dos responsáveis pelo projeto “Encontro do BOI com o Circo” através da aprovação pela FUNARTE de um projeto de sua autoria, junto ao governo federal. Através destas ações de membros da sociedade civil e das parcerias com iniciativa privada e poderes públicos, a cultura em Pedro Leopoldo tem tudo para resistir a uma quase anunciada morte de nossos valores tradicionais, tão ricos e, infelizmente, tão pouco valorizados, dadas as prioridades a milionários megaeventos descaracterizantes de nossa condição humana nestas bandas do sertão.

Muito bom projeto cultural em Pedro Leopoldo, o caso do projeto ” ENCONTRO DO BOI DA MANTA COM O CIRCO”. Uma marca inédita e um trabalho de qualidade, para fazer frente ao mar de porcarias ambulantes que circulam fazendo ruídos estrondosos nas nossas ruas. Andar nas calçadas da rua Comendador tornou-se uma operação de riscos de vida. Andar de bicicletas , nem pensar. Passar de BIKE pelo sinal da Comendador, somente carregando-as nas costas, pois não tem sobrado um filete sequer em meio a motoristas desvairados e muito imprudentes, e com clima de pura impunidade. Este projeto trata-se de uma marca de resistência contra o projeto quase inexorável de virarmos a MACONDO do final do livro de Gabriel Garcia Marques: “CEM ANOS DE SOLIDÃO”… Nosso destino é virar pó mesmo?… VIVA O ENCONTRO DO BOI COM O CIRCO E PARABÉNS A TODOS OS ENVOLVIDOS NESTE BRILHANTE PROJETO, e que venham mais e muito mais…

Como na parábola cristã, quando Cristo diante de uma multidão sequiosa de alimento, e com muita gente esfomeada, tomou diante de si poucos peixes, menos ainda de pão: empreendeu o milagre da multiplicação. Assim, pelo poder de sua ação cheia de amor e solidadriedade, Cristo foi capaz de alimentar uma verdadeira multidão.

Resta-nos a esperança de que ” O PROJETO ENCONTRO DO BOI COM O CIRCO” esteja também abençoado pelas iniciativas solidárias e amorosas de gente que compreende e valoriza o poder da arte e da cultura como formadoras da condição humana saudável e que tem o potencial do alimento para a alma de milhares de pedroleopoldenses com fome e sede de cultura de raiz e de qualidade.

Texto: Gisnaldo Amorim Pinto.

Boi da Manta no I Concurso Literário de Pedro Leopoldo 2012 – AABB Pedro Leopoldo

O Boi da Manta é uma festa ritual de Pedro Leopoldo, existente há décadas e que leva grande público às ruas da cidade, anualmente, às vésperas do Carnaval. O Boi da Manta é um festejo popular considerado, por muitos, como patrimônio imaterial de Pedro Leopoldo. Durante os festejos comemorativos do I Concurso Literário de Pedro Leopodo 2012, o Boi da Manta apresentou-se em grande estilo, convidando os presentes ao reforço do valor cultural do município e à valorização de suas melhores expressões criativas. Roger Souza (Roger de Pelau), um dos organizadores do Boi da Manta e grande defensor desta manifestação cultural, compareceu ao evento, levando seu apoio ao Concurso Literário de Pedro Leopoldo e seu abraço aos premiados e homenageados de 2012.

Ao som de marchinhas de carnaval, o Boi da Manta e o Bonecão de Pelau animaram o público presente na AABB Pedro Leopoldo, durante a solenidade de premiação da melhor obra de 2012.

Boi da Manta durante as festividades do I Concurso Literário de Pedro Leopoldo 2012. AABB Pedro Leopoldo.

Fotografia – Júnia Sales, Blog Cultura de Pedro Leopoldo.

Fantasia e performance marcam o Enterro do Boi

A fantasia marcou o Boi da Manta 2012 em Pedro Leopoldo. Entre personagens de quadrinhos, superheróis e criaturas do maravilhoso, o Boi da Manta mantém sua tradição de possibilitar o convite à liberação da fantasia. O Boi da Manta é o reino da maravilha, com expressão de criatividade, invenção e alegria. Há inversão de papéis, como no caso de homens que se fantasiam de bebês e de mulheres, há subversão da ordem e irreverência. Fantasiados e personagens compõem o cortejo do Boi da Manta.

A fantasia de gatinho é uma das mais tradicionais do Boi da Manta, utilizada desde o início da  festa. É uma fantasia que permite ao fantasiado o anonimato e a diversão sem identidade. A fantasia de gatinho foi, nos anos 90, substituída por outras fantasias mais carnavalescas e, nos anos 2000 o Boi da Manta passou a contar cada vez mais com fantasiados de cara nua. Poderíamos dizer que há certa alteração no perfil dos fantasiados do Boi da Manta entre os anos 80 e os dias atuais quanto a este aspecto, com aumento da exposição pública da identidade do fantasiado. Toda prática cultural se realiza assim: misturando tradição e transformação.

Entre a mulher maravilha e o facebook. Tudo, no Boi 2012.

As irmãs Regina e Selma abrilhantaram o Boi da Manta 2012 com suas magníficas fantasias (fantasias do Carnaval de Belo Horizonte).

Um dos personagens mais esperados do Boi da Manta é este vendedor de cocô,  já incorporado às figuras célebres da festividade.

Mário Lúcio é personagem tradicional do festejo, à frente da Banda do Boi da Manta. No dia 17 de fevereiro, data desta foto, ele estava completando 50 anos.

Texto e fotografia – Júnia Sales e Gisnaldo Amorim.