Edson Jorge encontra-se com a Ministra Marta Suplicy no Rio de Janeiro

Edson Jorge, do Cine Marajá, e seu filho Aroldo, participaram na última semana de cerimônia de anúncio do Fundo Setorial do Audiovisual no Rio de Janeiro, que visa apoiar o processo de digitalização dos cinemas do país. Edson entregou carta à Ministra da Cultura, Marta Suplicy, com relato da situação do Cinema em Pedro Leopoldo, fazendo solicitações de apoio ao Cine Marajá. Edson Jorge é o exibidor de cinema mais antigo do país, fato que comoveu a ministra e os presentes ao encontro.

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Na foto, terceira fila à direita, Edson Jorge e Aroldo em reunião do Programa Cinema Perto de Você, RJ. Foto André Melo.

A ministra Marta Suplicy anunciou, na oportunidade, a criação de uma linha financeira do Fundo Setorial do Audiovisual – FSA, no valor de R$ 140 milhões, voltada para a digitalização das salas de cinema administradas por empresas brasileiras. Além deste valor, um apoio não-reembolsável de até R$ 6 milhões será destinado à digitalização das salas de pequenos grupos exibidores. Este projeto de atualização tecnológica do parque exibidor brasileiro integra o programa Cinema Perto de Você.
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Foto André Melo.

O evento aconteceu na Sala Funarte/Sidney Miller, no Rio, e, além da ministra da Cultura, contou com a participação do diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, do diretor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES, Julio Raimundo, e do presidente da Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas – FENEEC, Paulo Lui. O secretário do Audiovisual, Leopoldo Nunes, também esteve no evento.

Em sua fala, a ministra Marta Suplicy elogiou o trabalho conduzido pela Ancine no fomento ao cinema e ao audiovisual brasileiro e destacou a parceria do BNDES com o Ministério da Cultura em diferentes programas. Marta também tratou da importância de apoiar o audiovisual nacional e modernizar os espaços de exibição: “Está cada vez mais claro para todos que a Era de Gutenberg acabou, e que já estamos na Info-Era. Com essa iniciativa, que alavancará o cinema brasileiro, começamos finalmente a entrar no século 21.”

Para a ministra, o cinema tem importância estratégica para o Brasil: “Há pouco tempo comecei a entender o conceito de soft power, o esforço estratégico que os países fazem para difundir uma imagem positiva no mundo. Foi isso que fizeram os Estados Unidos com os filmes de Hollywood, que tiveram uma enorme influência colonizadora. Com sua diversidade cultural gigantesca, o Brasil tem tudo para ‘arrebentar’ no exterior, e o cinema é o veículo perfeito para essa inserção internacional.”

Representando os exibidores, Paulo Lui manifestou enorme satisfação com o lançamento da linha de digitalização do FSA: “O lançamento de uma linha de apoio à digitalização é fundamental para sustentar o crescimento da atividade. O Brasil cresce e o cinema também precisa crescer. Trabalhando juntos, viabilizaremos esse crescimento”, afirmou.

Em seguida, o diretor-presidente da Ancine fez uma apresentação detalhada da forma de operação da nova linha financeira do FSA, destacando que o papel da política pública é criar as condições para que o mercado se desenvolva. Segundo Manoel Rangel, “a digitalização reduz os custos de copiagem e transporte e modifica a economia do cinema, beneficiando produtores e distribuidores e trazendo novas oportunidades para os exibidores, como a inclusão de mais salas no circuito de lançamentos e a multiprogramação, com a oferta de novos conteúdos que podem aumentar a freqüência das salas.”.

Rangel explicou também que todos os recursos da linha de crédito serão destinados à compra e instalação de projetores digitais e equipamentos acessórios, e que a linha de crédito ficará disponível por 24 meses, ou até o esgotamento dos recursos disponíveis, o que acontecer primeiro: “A meta é digitalizar 1.400 salas em um prazo de 18 meses. Quanto mais salas de cinema o país tiver, mais a sociedade brasileira será atendida por esse serviço cultural, e mais espaço haverá no mercado para o filme nacional.” As autoridades presentes revelaram que 90% das salas de cinema no país estão em grandes aglomerações. Apenas 10% está em pequenos núcleos populacionais. A meta do Ministério da Cultura é de apoio aos pequenos exibidores e sustentação dos cinemas para públicos atualmente excluídos deste acesso cultural.

O Cine Marajá integra este circuito de cinemas resistentes à metropolização. O Cine Marajá foi inaugurado em 1956 e viveu várias crises, passando por fechamentos e reaberturas. Reaberto há alguns anos com apoio parcial de recursos aferidos por meio de renúncia fiscal, com apoio da Precon, o Cine Marajá vem sobrevivendo à concorrência da pirataria, à proximidade com cinemas de Belo Horizonte e com muita mobilização e apoio da sociedade organizada. Desde 2010 o Cine Marajá conta com o apoio do Cine Clube Marajá, que é composto por um grupo de pessoas voluntárias que se mobilizam para manter abertas as portas do cinema em Pedro Leopoldo. Dentre outros voluntários, na internet e em ações presenciais, estão os educadores Jùnia Sales Pereira e Gisnaldo Amorim Pinto, o produtor cultural Misael Elias, dentre outros. Gisnaldo Amorim ressalta a importância da regionalização dos cinemas e o necessário fortalecimento dos cinemas de cidades do interior, uma das formas, segundo Gisnaldo, de combate ao êxodo às grandes cidades e de fortalecimento das culturas locais. Júnia Sales comenta que a luta pelo Cine Marajá, em Pedro Leopoldo, é uma luta pelo cinema nacional, pelo pequeno exibidor e, em especial, pelo direito à cultura que as populações de pequenas cidades têm.

Na oportunidade, Edson do Marajá entregou carta à Ministra Marta Suplicy contendo relato de toda a luta pelo cinema em Pedro Leopoldo, atuante desde 1956. A carta contém relatos dos projetos em andamento no Cinema, como as promoções Cine Combo, o Cine Circo (André Luiz Vieira e Janio Tanaka), o Grupo Cine CLube Marajá no Facebook, o Cine Clube Bate Papo, o Projeto Direito e Cinema, com exibição de filmes comentados por profissionais da área de direito, com a coordenação da Fundação Cultural Dr. Pedro Leopoldo, projetos desenvolvidos por educadores da rede pública e das redes privadas de Pedro Leopoldo, para garantia de acesso e exibição comentada de filmes para crianças e jovens, dentre outros, além das parcerias com o cineasta Ernane Alves para exibição de filmes de sua autoria no Cine Marajá.

O Blog Cultura de Pedro Leopoldo faz votos de que o Cine Marajá seja contemplado, permanecendo, em Pedro Leopoldo, com a oferta cultural permanente e com a qualidade de exibição que lhe é peculiar.

(Texto adaptado de: Ascom/MinC, disponível em http://www.cultura.gov.br/site/2013/01/31/digitalizacao-das-salas-de-cinema/
(Fonte: Ascom/Ancine); (Fotos: André Melo)

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